03 de março de 2026

Crédito: Laboratório Cristália
A polilaminina, desenvolvida pela UFRJ, mostra potencial na regeneração da medula espinhal em estudos com animais, mas especialistas alertam que eficácia e segurança em humanos ainda não foram comprovadas.
Uma molécula experimental desenvolvida por pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) tem despertado interesse na comunidade científica por seu potencial de estimular a regeneração de conexões nervosas após lesões na medula espinhal. Batizada de polilaminina, a substância vem sendo investigada como possível estratégia terapêutica para auxiliar na recuperação de movimentos em casos de paralisia.
Derivada da laminina, proteína naturalmente presente no organismo, a polilaminina é produzida em laboratório de modo a preservar uma estrutura tridimensional estável. Essa configuração atua como um “andaime biológico”, criando um ambiente propício ao crescimento de neurônios nas áreas lesionadas da medula.
Em estudos pré-clínicos conduzidos com modelos animais, como ratos e cães paraplégicos, a substância demonstrou indícios de melhora motora. Os experimentos sugerem que a polilaminina pode estimular o crescimento de axônios, favorecer a reconexão de fibras nervosas danificadas e contribuir para a redução de processos inflamatórios na região afetada.
Esses achados ampliaram as expectativas quanto à possibilidade de, futuramente, a tecnologia contribuir para a recuperação de funções motoras comprometidas por traumas medulares. No entanto, os pesquisadores ressaltam que resultados obtidos em animais não asseguram eficácia em humanos.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou a realização de ensaios clínicos de fase 1, destinados a avaliar a segurança da polilaminina em um pequeno grupo de pacientes com lesão medular completa aguda. Essa etapa concentra-se, sobretudo, na identificação de eventuais efeitos adversos, não tendo como objetivo principal comprovar a eficácia terapêutica.
Até o momento, não existem evidências conclusivas que atestem a segurança ou a eficácia da substância em larga escala. Para isso, serão necessárias etapas posteriores de pesquisa, com maior número de participantes, grupos de controle e publicação dos resultados em periódicos científicos revisados por pares.
Apesar de ainda se encontrar em fase experimental, a polilaminina passou a ser divulgada nas redes sociais como possível “cura” para a paralisia, o que levou sociedades médicas e especialistas a reforçarem a importância da prudência. A criação de expectativas excessivas pode gerar frustração e desinformação, especialmente entre pacientes e familiares em busca de alternativas terapêuticas.
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